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Esgotada a primeira tiragem de Céu de Papel!

“Vossa Senhoria tem o seu negócio montado, e quanto mais coisas vender, maior será o lucro. Quer vender também uma coisa chamada ‘livro’? Vossa Senhoria não precisa inteirar-se de que coisa é. Trata-se de um artigo comercial como qualquer outro: batata, querosene ou bacalhau.”

O trecho citado foi extraído de uma carta escrita por Monteiro Lobato a comerciantes brasileiros em 1918. Naquela época, havia no país aproximadamente 30 livrarias, a maioria delas concentrada no eixo Rio-São Paulo. Lobato adquirira a Revista do Brasil, publicação criada em 1916 por intelectuais paulistas, e a transformara, dois anos mais tarde, na editora Monteiro Lobato e Cia. Editores. Em face da má distribuição dos livros e o baixo número de livrarias, o autor de Urupês necessitava de locais alternativos para comercialização dos títulos de sua editora. A saída foi recorrer a donos de bancas de jornal, mercearias, farmácias e papelarias. Os comerciantes aderiram e o escritor-empreendedor conseguiu formar uma rede com quase dois mil distribuidores em todo o país. Uma façanha para o mercado editorial daquele período.

Fato que temos poucos leitores por habitante no cenário brasileiro, fato também que não é costume o comprar livros, o que torna o empreendimento de autores independentes e iniciantes ainda mais difícil. Se o mercado é uma escalada montanhosa mesmo para as grandes editoras, que dirá para nós, que somos autores, ilustradores, diagramadores, editores, revisores, marqueteiros e vendedores da nossa própria obra. Não é do meu feitio o otimismo gratuito, mas a experiência com Céu de Papel leva-me a acreditar que, assim como Monteiro Lobato, é possível reinventar as formas de distribuição de livros no mercado nacional.

Nesse cenário, vender uma tiragem de 100 livros em 3 semanas, utilizando apenas dois canais, o boca a boca e a venda pela internet, é uma grande conquista. E mais importante, as mensagens dos leitores de agradecimento e elogios, contanto do encantamento de seus filhos ao lerem a história.

Já encomendei a próxima tiragem. Tem mais Céu de Papel vindo ai e outros títulos depois dele.

 

Lançamento na Flip 2018

Lançar um livro é como batizar um filho – disseram. De fato, a experiência regada de dor e alegria do processo de produzir o texto e as ilustrações é uma gravidez. O enlevo do parto, quando o livro, finalmente, chega impresso. Mas tudo isso é evidenciado presente na existência concreta quando do ato simbólico de lançamento. Céu de Papel foi batizado com honras, durante o maior festival internacional de literatura realizado no Brasil.

Em 28 de julho, às 10h, à convite ilustre da Casa Philos, Céu de Papel chega às mãos do público na Flip, Festa Literária Internacional de Paraty. Com a casa cheia, a celebração contou com minha participação na mesa “A cidade como obra de arte”, uma conversa com junto com o Dr Paulo Emílio Azevedo, escritor e criador, e com o MC Slow da BF.

Após a mesa, tivemos um tempo de conversa com autor e com o ilustrador Davi Vasconcelos, seguindo a sessão de autógrafos. Dedicar um livro é endereçar sua liberdade, para que se crie sob um novo olhar, o que jamais foi sob o meu.

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