Inventando histórias

Tainá tem seu próprio jeitinho de criar as histórias. Tudo o que ela precisou foi de uma pergunta, pra provocar a imaginação, e um boa olhada no que estava em volta. Ela já tinha todo o Céu de Papel no objeto que tinha mãos, o vagalume de origami. Que tal usarmos o jeitinho da Tainá para criar nossas próprias histórias?

Para essa brincadeira vamos precisar de uma caixa grande, pode ser de papelão, de plástico, uma mala ou um baú. Dentro dessa caixa vamos colocar objetos variados. Pode ser qualquer objeto de todas as partes da casa, quanto mais variados, melhor. Recapitulando o que é preciso:

  • Caixa.
  • Objetos variados.

Como brincar?

A criança inventa a história enquanto alguém mostra os objetos. Na medida que a criança vai inventando, um objeto por vez é mostrado à criança nos intervalos que o facilitador desejar. A criança deve usar a imagem daquele objeto para continuar a história. Ou seja, a cada objeto mostrado, a criança deve, obrigatoriamente, inseri-lo na história. Os objetos não precisam entrar na história no seu sentido literal, por exemplo, se uma bola é mostrada e a criança, ao olhar a bola, decide que ela será um ovo de dinossauro, tudo bem. Essa liberdade criativa é importante! Para começar, fazemos uma provocação, que pode ser a frase que dá inicio à história, por exemplo:

Era uma vez, em um dia frio…
Era uma vez um canarinho perdido…
Era uma vez uma bota de chuva…
Era uma vez um cometa…

A provocação também pode ser uma pergunta da Caixinha de Perguntas < Clique para saber mais.

A história segue até quando a criança quiser ou, para ajudar, pode-se pedir à criança que finalize a história em determinado momento ao mostrar um ultimo objeto.

O que a criança aprende

Do ponto de vista da linguagem, essa atividade contribui para que a criança faça um uso competente da linguagem, exercitando suas noções de temporalidade (ao narrar acontecimentos em sequência), de ações complexas (cada personagem tem um jeito e uma função) e o seu vocabulário. Além disso, é uma oportunidade de exercitar a imaginação e a criatividade!

A Magia de Criar

E se as histórias para crianças passassem
a ser de leitura obrigatória para os adultos?
seriam eles capazes de aprender realmente
o que a tanto tempo têm andado a ensinar.

(José Saramago)

Talvez ninguém duvide que na infância nossa mente está mais aberta a imaginar e a criar infinitas realidades. Nossos olhos encantam-se a cada descoberta e nossa mente viaja em muitas possibilidades de criação. Alimentar essa construção criativa é um modo que nós, os adultos, temos de contribuir para formação humana dessas crianças. Por isso convidamos todos vocês a embarcarem nessa proposta que o livro “Céu de papel” traz. Com uma pergunta do tamanho de um elefante, o mundo se apresenta por meio das interrogações para o Léo e para todos nós!
É na busca das respostas que vamos conectando as palavras, criando as narrativas e inventando a fantasia onde não cabe o real. Assim surge a literatura, fundamental para nossa compreensão de mundo e para completar as lacunas que a realidade não dá conta. A leitura é uma prática constante em nossa vida, no campo literário ela abrange diversas perspectivas e é preciso fortalecer a sua atuação social e a capacidade de representação e diálogo, por isso quanto mais presente ela estiver, melhor seguiremos como sociedade.

“Somente a leitura, a imaginação, o estudo, o esforço, a tenacidade investigativa, o desafio constante do conhecimento nos abre os olhos para o bem pensar…”, inspirados nas palavras do escritor argentino Mempo Giardinelli, compartilhamos caminhos para vivenciar a leitura de “Céu de papel” e refletirmos juntos essa formação leitora.

LEIA PARA UMA CRIANÇA

A leitura em voz alta é um bom caminho para criar leitores. O encantamento do texto pela voz de seus afetos é uma forma de aproximar a criança do livro. A leitura deve ser livre, prazerosa e espontânea, mas também passa pela memória, pela oralidade e pela afeição. Por muito tempo, rodas de conversas e contação de histórias foram o modo que muitas civilizações interagiram, e, mesmo hoje, na era das redes sociais, continuamos atrás de uma boa história e, nesse sentido, é importante cultivar o desejo de ler.

Para a escritora Ana Maria Machado, a verdadeira literatura infantil permite que a gente encontre sentidos novos, e isso é uma prova de sua qualidade literária, por isso nossas sugestões pretendem ser, antes de tudo, uma forma de trocar experiências e possibilidades de interação com a história para que o próprio leitor dela descubra seus caminhos e preencha suas lacunas.

Por meio de uma história, um mundo irá se revelar. Sensações novas, pensamentos nascerão como estrelas no céu, brilharão a todos que se permitirem viver a experiência da escuta de uma boa narrativa. Quem sabe nesse céu de papel sejamos nós os vagalumes, leitores brilhando a cada descoberta da palavra literária, alimentando nossa vontade de criar. Esse é o convite que fazemos aos adultos e as crianças: viver a magia da criação. Oferecemos o livro, uma boa história, algumas atividades e brincadeiras, mas deixaremos lacunas para vocês inventarem suas próprias aventuras nesse mundo da imaginação. Voem vagalumes…

Patrícia Nogueira.
Equipe pedagógica

Caixinha de Perguntas

“Léo tinha uma pergunta do tamanho de um elefante”

E você, tem perguntas? Imagino que sim. Sabia que tem perguntas de tudo que é jeito? Tem as fáceis, as difíceis, as muito complicadas e as impossíveis! Tem aquelas que chegam do nada na nossa cabeça, outras que a gente ouve por ai. Tem perguntas longas, curtas, engraçadas, macias e até receitas de perguntas para comer no café da manhã! Tem também aquelas grandes como elefantes, tipo a pergunta do Léo no livro Céu de Papel. Tem perguntas bonitas que chegam a rimar e outras que dá até medo de perguntar. Mas como é bom quando a gente tem o desafio de uma boa pergunta! O mais incrível é que perguntas podem nos levar a mais de uma resposta e essas respostas à novas perguntas. E ai eu pergunto: Se tem tanta pergunta assim, que tal virarmos colecionadores de perguntas?

Para isso vamos fazer a nossa Caixinha de Perguntas.

Você vai precisar:


– 1 caixa de papelão pequena (pode ser de sapatos)
– Papel para encapar sua caixa, pode ser: de presente, de camurça, até folhas de HQs.
– Cola.
– Tesoura.
– 1 folha em branco (sulfite/A4).
– Canetinhas coloridas.
– Lápis de cor.
– Cartolina.
– Lápis preto/grafite

Como fazer?


1 – Encape sua caixa de perguntas com o papel escolhido, use a cola e a tesoura para fazer os ajustes.
2- Na folha em branco, escreva com a canetinha colorida ”CAIXA DE PERGUNTAS”, e cole na tampa da sua caixa, se precisar use apenas a metade do papel.
3 – Na cartolina, faça cartões de perguntas em forma retangular como o modelo a seguir:


4 – Recorte os cartões, se quiser pode fazer uma borda com as canetinhas e lápis de cor e escreva suas perguntas que podem ter respostas ou não. Use sua imaginação ou escreva adivinhas populares (o que é, o que é…?) e depois é só sair por ai perguntando.

Você sabia?

As adivinhas ou adivinhações fazem parte das brincadeiras do folclore, geralmente começam com a pergunta “o que é, o que é…?”. São como charadas com respostas engraçadas e bem criativas. O que é, o que é? Feito para andar e não anda. Resposta: A rua.

– O que é, o que é? Uma impressora disse para a outra? Resposta: Essa folha é tua ou é impressão minha?
– O que é, o que é? Cai de pé e corre deitado? Resposta: A chuva.
– O que é o que é que está sempre no meio da rua e de pernas para o ar? Resposta: A letra U.

Sobe, Desce e Viravolta – Jogo

“Os mais aventureiros voam e cantam pelo infinito do céu.”

Vamos viajar pelo espaço junto com os vagalumes! Este é um jogo de percurso para 2 ou mais jogadores. Para jogar, é preciso o tabuleiro de 100 casas, um dado e os peões. Há três formas de conseguir um tabuleiro, recortando a página 31 do livro Céu de Papel, imprimindo o arquivo que disponibilizamos ou desenhando um tabuleiro próprio, usando a figura de escadas e serpentes para marcar as casas de descida e subida, como no exemplo abaixo.

Clique para adquirir o livro completo.

Baixe o modelo para imprimir.

Exemplo de tabuleiro que pode ser feito em casa.

Os peões podem ser algo que você encontre por perto, como botões, grãos de feijão, rodelinhas de papelão pintadas e até mesmo pedrinhas, use a criatividade. Apenas certifique-se de que é possível diferenciar os peões de um e outro jogador.

Objetivo:
Chegar à lua, na casa 100.

Início da partida:
Cada jogador escolhe o seu peão e o guarda fora do tabuleiro. Para definir quem começa, cada jogador lança uma vez o dado. Os que empataram lançam mais uma vez o dado e quem tirar o maior número começa. Joga um de cada vez, na ordem que definirem a partir do primeiro.

Movimentos:
Depois de lançar o dado, o jogador movimenta sua peça conforme o resultado, começando pela casa de número 1. Se um jogador cair em uma casa ocupada por outro jogador, deve colocar sua peça uma casa à frente. Se essa casa já estiver ocupada, ele avança até a próxima casa livre.
Os desenhos no tabuleiro indicam as casas onde se deve subrir ou descer.

Variante:
Para deixar mais emocionante, os jogadores podem combinar que para ganhar o jogo será necessário tirar o número exato de pontos para chegar à casa 100. Por exemplo:, se o jogador estiver na casa 98, ele deve tirar 2 no dado para ganhar, mas se ele tirar 3, o jogador deve avançar 2 casas até a de número 100 e retornar uma até a de número 99. Com na casa 99 tem um desenho de descida, deve viajar até a casa 77.

Subidas e descidas:
Casa 9 – Tainá lançou o vagalume de origami para o céu, suba à casa 47.
Casa 15 – Um avião está chegando no destino, desça à casa 1
Casa 25 – Uma nave espacial levando um viajante, suba à casa 36.
Casa 35 – Você embarcou em um foguete, suba à casa 64.
Casa 41 – Um passeio de baleia, suba à casa 61.
Casa 68 – O astronauta está procurando um planeta, desça à casa 31.
Casa 72 – O vagalume aeronauta indo bem longe! Suba à casa 93.
Casa 78 – O esquilo sai do seu pequeno planeta, desça à casa 62
Casa 87 – Um vagalume atravessa o espaço como um cometa! Desça à casa 18.
Casa 95 – Tem um coelho cósmico saltitando no espaço, desça à casa 85.
Casa 99 – Um vagalume deixa a lua, onde será que ele vai? Desça à casa 77.

Vagalume de Origami

– O que você está fazendo, Tainá?
– Um vagalume de origami. A gente vai dobrando o papel de um monte de jeito até que ele vire um vagalume…

Como a Tainá disse, dá para fazer muita coisa apenas dobrando um papel. Essa é uma arte milenar vinda do Japão, chamada de Origami. Cada figura de origami tem um significado diferente para os japoneses; o que esse vagalume vai significar pra você?

Mãos à obra!

Passo 1: Pegue uma folha de papel quadrada e corte-a na diagonal para que se torne um triângulo. Ou recorte o modelo da página 32 do livro Céu de Papel.
Passo 2: Com o lado preto voltado para cima, ou qualquer lado, se o papel for todo branco, dobre-o ao meio e desdobre.
Passo 3: Dobre os cantos inferiores para que as pontas se encontrem no topo do triângulo.
Passo 4: Dobre as duas abas, mas dobre-as em um leve ângulo para que as pontas se afastem uma da outra e pareçam asas.

Etapa 5: Dobre a camada de traz. Não dobre exatamente ao meio, mas um pouco acima. Por enquanto essa dobra é apenas para marcar. Desdobre.

Passo 6: Torne a camada de traz mais estreita dobrando-a em três. Em seguida, dobre novamente o vinco feito na etapa 5. No modelo do livro tem a marcação de apoio na faixa mais clara.
Passo 7: Dobre para trás uma boa parte dos lados esquerdo e direito do modelo. Ajuste o papel até que a forma seja a do nosso vagalume e que os lados esquerdo e direito iguais um ao outro. Aperte as linhas das dobras para fixar.
Passo 8: Dobre as pontas das asas para trás.
Passo 9: O vagalume está quase pronto, agora é só pintar como achar melhor.

Esgotada a primeira tiragem de Céu de Papel!

“Vossa Senhoria tem o seu negócio montado, e quanto mais coisas vender, maior será o lucro. Quer vender também uma coisa chamada ‘livro’? Vossa Senhoria não precisa inteirar-se de que coisa é. Trata-se de um artigo comercial como qualquer outro: batata, querosene ou bacalhau.”

O trecho citado foi extraído de uma carta escrita por Monteiro Lobato a comerciantes brasileiros em 1918. Naquela época, havia no país aproximadamente 30 livrarias, a maioria delas concentrada no eixo Rio-São Paulo. Lobato adquirira a Revista do Brasil, publicação criada em 1916 por intelectuais paulistas, e a transformara, dois anos mais tarde, na editora Monteiro Lobato e Cia. Editores. Em face da má distribuição dos livros e o baixo número de livrarias, o autor de Urupês necessitava de locais alternativos para comercialização dos títulos de sua editora. A saída foi recorrer a donos de bancas de jornal, mercearias, farmácias e papelarias. Os comerciantes aderiram e o escritor-empreendedor conseguiu formar uma rede com quase dois mil distribuidores em todo o país. Uma façanha para o mercado editorial daquele período.

Fato que temos poucos leitores por habitante no cenário brasileiro, fato também que não é costume o comprar livros, o que torna o empreendimento de autores independentes e iniciantes ainda mais difícil. Se o mercado é uma escalada montanhosa mesmo para as grandes editoras, que dirá para nós, que somos autores, ilustradores, diagramadores, editores, revisores, marqueteiros e vendedores da nossa própria obra. Não é do meu feitio o otimismo gratuito, mas a experiência com Céu de Papel leva-me a acreditar que, assim como Monteiro Lobato, é possível reinventar as formas de distribuição de livros no mercado nacional.

Nesse cenário, vender uma tiragem de 100 livros em 3 semanas, utilizando apenas dois canais, o boca a boca e a venda pela internet, é uma grande conquista. E mais importante, as mensagens dos leitores de agradecimento e elogios, contanto do encantamento de seus filhos ao lerem a história.

Já encomendei a próxima tiragem. Tem mais Céu de Papel vindo ai e outros títulos depois dele.

 

Lançamento na Flip 2018

Lançar um livro é como batizar um filho – disseram. De fato, a experiência regada de dor e alegria do processo de produzir o texto e as ilustrações é uma gravidez. O enlevo do parto, quando o livro, finalmente, chega impresso. Mas tudo isso é evidenciado presente na existência concreta quando do ato simbólico de lançamento. Céu de Papel foi batizado com honras, durante o maior festival internacional de literatura realizado no Brasil.

Em 28 de julho, às 10h, à convite ilustre da Casa Philos, Céu de Papel chega às mãos do público na Flip, Festa Literária Internacional de Paraty. Com a casa cheia, a celebração contou com minha participação na mesa “A cidade como obra de arte”, uma conversa com junto com o Dr Paulo Emílio Azevedo, escritor e criador, e com o MC Slow da BF.

Após a mesa, tivemos um tempo de conversa com autor e com o ilustrador Davi Vasconcelos, seguindo a sessão de autógrafos. Dedicar um livro é endereçar sua liberdade, para que se crie sob um novo olhar, o que jamais foi sob o meu.